O estímulo à criatividade em contexto terapêutico direciona o indivíduo para si mesmo, incentivando-o a redescobrir-se sobre um novo olhar, um olhar ativo, construtivo, que impulsiona à (re)criação de um rearranjo de aspetos de si.

Ser criativo é estar vivo. Perder o acesso à sua natureza criativa, é estar sem a capacidade de agir segundo a sua vontade, sobre o mundo, e sobre si. Restaurar a criatividade é recapacitar-se dessa força de vida que é a capacidade de ser criativo.

No adoecimento psíquico, observa-se uma perda das funções do Eu. Em primeiro lugar, uma diminuição da capacidade volitiva, que se reflete no fazer, pensar e sentir.

Antes da perda generalizada da capacidade de fazer, perde-se a capacidade de um fazer muito específico, o fazer criativo. Um fazer com vontade, um fazer genuíno, do Eu mesmo.

Nenhuma doença se gera espontaneamente. Começa a manifestar-se, e desenvolve-se por longos períodos de tempo de forma silenciosa, até se tornar visível, evidente e, eventualmente, incapacitante. Há um padrão que lentamente se desenvolve e instala, e a pessoa percorre o mesmo caminho, dia apos dia, situação após situação, como um rato, às voltas na roda da ratoeira.

O estímulo à criatividade vem como algo novo que se introduz na engrenagem desses padrões, abrindo uma janela à possibilidade de um pensar e fazer diferente, que impulsiona a vontade e disposição do ser à criação (ou reorganização) de um novo rearranjo de si. Isto é, um novo rearranjo da forma como vive, age e reage a várias situações internas e externas.

Não para que todos sejam artistas, mas para que ninguém seja escravo” (Rodari).